23/05/14

3 Maneiras de Arruinar o Futuro de Seu Filho

 Educar os filhos não é uma ciência, nem tampouco uma daquelas atividades repletas apenas de prazer e alegria. Dá orgulho, mas dá trabalho, muito trabalho. Fórmulas, manuais, livros, opiniões, são muitas as fontes de informação capazes de oferecer aos pais exemplos de como agir e do que (não) fazer.

 
Que não é fácil, isso todo mundo sabe, mas as opções diante do desafio de criar os filhos são apenas duas: assumir a responsabilidade ou fingir tê-la assumido. Os resultados estão por ai, na maioria catastróficos. Há muita gente mal-educada, acomodada, arrogante e, para completar, infeliz.
 
As reflexões que proponho aqui são propositalmente fortes, mas também sinceras e com grande dose de humildade. Tratam-se de palavras de um pai que certamente errará muito, mas não por negligência ou preguiça – longe de mim querer passar a imagem de alguém dono da verdade (conto com sua correta interpretação!). Pensando justamente nos desafios de educar, convido você a elevar um pouco o nível do debate.
 
Proponho sair da ultrapassada discussão em torno de quem deve educar um filho: a escola não tem esse papel! Quem forma o caráter e permite o desenvolvimento sadio da personalidade de uma criança é a família e a qualidade de seu entorno – o resto (descobertas pessoais, sucesso profissional, carreira e etc.) será por conta dele.
 
Como não sou especialista na área, tratarei do óbvio: todo mundo concorda que mimar demais, ser incoerente e criar um filho dependente não é nada interessante. Certo? Acompanhe então os desdobramentos de agir assim e veja se concorda com os meus pontos de vista.
 
3 maneiras de arruinar o futuro de seu filho
 
1. Dê tudo o que ele quiser
 
Brinquedos, viagens, mais dinheiro, tempo no computador, celular de última geração, festas suntuosas, carro, dê tudo o que ele quiser e você só verá sorrisos e bajulação partindo de seu rebento. Desdobre-se, endivide-se, mas garanta que nada se coloque entre os sonhos de seu filho e ele.
 
Logo ele se tornará um adulto incapaz de lidar com as frustrações que a vida certamente irá lhe impor. Isso sem falar no constante quadro de angústia e ansiedade que ele sentirá por não compreender que resultados são consequências de persistência e trabalho. Até então, para ele persistência e birra eram sinônimos. Ele se tornará alguém intransigente, com um ego ridiculamente maior que sua barriga.
 
A única certeza depois de dar a ele tudo o que ele pediu é que a vida vai tirar dele muitas dessas coisas. E ai muitos pais seguem segurando a barra, por anos a fio, impedindo o filho de enfrentar a vida e escreverem a própria história. É grande a chance desse filho se tornar um adolescente de 40 anos (ou mais).
 
2. Fale uma coisa, mas faça outra
 
Fale sempre de modo doce com seu filho, ensine a ele que é preciso respeitar as pessoas, que cidadania significa muito mais que não jogar o lixo no chão (isso é básico!), encha-o de lições, mas ao sair de casa faça exatamente o oposto do que pregou. Aproveite a presença do pequeno e grite com os outros, dirija como se só existisse você e seu carro, além de deixar o cocô de seu cachorro bem no meio da calçada.
 
Logo ele se tornará um adulto igualzinho a você, sempre com um discurso afiado e excelentes conselhos, mas sem educação nenhuma, porco, alguém que se lixa para o bem-estar dos outros e indiferente aos aspectos essenciais da vida em conjunto (leia-se cidadania).
 
A única certeza depois de dar a ele todos esses exemplos (nenhu, no caso) é que a vida vai tratar de isolá-lo e colocá-lo entre pessoas de mesmo caráter – com sorte, talvez ele vá preso. É grande a chance desse filho se tornar alguém violento ou, quem sabe, um participante da nossa política. 
 
3. Resolva todos os seus problemas
 
Leve sempre seu filho para onde ele precisa ir, cuide de todos os documentos que dizem respeito à vida dele, pague todas as suas contas sem impor limites, intimide seus professores depois de conhecer suas notas e seu comportamento na escola e faça questão de lembrá-lo de que ele é incapaz de fazer tudo isso sem sua ajuda.
 
Logo ele se tornará um adulto altamente inseguro, incapaz de tomar simples decisões e dependente da aprovação dos outros até para sair de casa. Com uma idade mental defasada e um jeito difícil, explodirá ao ter que enfrentar qualquer pequeno fracasso, evitando assim riscos maiores – e com isso abrindo mão de viver plenamente qualquer sonho (eles dependem de sermos capazes de arriscar).
 
A única certeza depois de manter seu filho em uma bolha é que a vida dele vai ser marcada por dependência, desilusão e depressão. Dependência de elogios e consentimento; desilusão por viver sempre a sensação de que não realizou tudo o que seria capaz; e depressão porque deve ser muito difícil precisar do “ok” dos outros para ser feliz. Coloque dinheiro (ou a falta dele) nessa equação toda e o quadro toma contornos apavorantes.
 
Pais precisam agir como pais
 
O que percebo é que tem muitos pais “brincando de educar” por ai. Isso para não mencionar aqueles que ainda transferem essa responsabilidade para educadores, babás e/ou parentes.
 
E não pense que estou defendendo a presença constante dos pais como fator crucial para a formação de um pessoa inteira, com caráter e autossuficiente. Nada disso! Eu defendo que os pais participem como pais, exercendo sua autoridade com respeito, dedicação, limites e muito amor e paciência.
 
Convenhamos, já é hora de parar com essa história de pais serem amiguinhos de seus filhos, um discurso raso e frequentemente usado como desculpa nas horas em que é preciso ser mais presente como pai ou mãe. Porque pai é pai; mãe é mãe.
 
Conclusões
 
Educar, penso eu, é muito mais do que colocar na escola, encher o dia de atividades e ter alguém “olhando”. Educar é saber dizer “Não” para muitos desejos do filho, é ser o exemplo para ele e valorizar sua independência. 
 
Educar é ser o cidadão que se deseja formar, sendo capaz de ser feliz com seus próprios defeitos e frustrações, mas também ciente de que toda e qualquer conquista é fruto de nossas escolhas e de como lidamos com suas consequências. Entender que filhos são seres humanos, e não projetos de vida, talvez seja um bom começo.
 
Mais uma vez, a ressalva: não tome o texto como uma verdade, mas como uma opinião. Errarei como pai, pode apostar! Bo, o que você acha dessa polêmica em torno da formação dos filhos e do papel dos pais neste processo? Acrescente sua opinião e alimente o debate usando o espaço de comentários abaixo. Obrigado e até a próxima.