A saúde financeira após a aposentadoria

Sondagem com 15 países põe o povo brasileiro entre os cinco mais preocupados com a velhice

Você está preocupado com a sua aposentadoria? Planeja a sua vida após pendurar as chuteiras? Pesquisa da consultoria Accenture em 15 países coloca o povo brasileiro entre os cinco mais preocupados com o bolso na velhice. Uma coisa é se preocupar, outra é se preparar para o futuro. Enquanto 90% dos brasileiros se mostram preocupados, apenas 6% têm uma poupança para complementar a renda. O motivo apontado pelos entrevistados é a falta de informação. Saiba que as opções de investimentos são diversificadas para cada gosto e bolso e veja que o importante é o primeiro passo.
Para orientar o trabalhador planejar a sua aposentadoria, o Diario ouviu especialistas em finanças pessoais e consultores do mercado financeiro. Todos são unânimes: o pulo do gato é começar cedo. A Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) fez algumas simulações com a aplicação nos planos de previdência privada, para demonstrar quanto o investidor poderá garantir de renda no futuro.
Por exemplo: um homem com 20 anos que poupa R$ 392,49 todo mês terá aos 50 anos uma renda vitalícia de R$ 1,5 mil e saldo acumulado de R$ 643 mil em 30 anos. Outra simulação: uma mulher que começa a poupar com 30 anos e se aposenta aos 65 anos terá uma renda mensal de R$ 2 mil, contribuindo com R$ 434,24. O saldo acumulado em 35 anos será de R$ 384 mil.
Miguel José Ribeiro de Oliveira, coordenador de estudos econômicos da Anefac, diz que o importante é ter um pé de meia para a aposentadoria. Entre as opções, ele destaca a previdência privada como a melhor alternativa, porque o investidor cria uma obrigação para poupar. "Se você for extremamente regrado, pode fazer uma caderneta de poupança e administrar o seu dinheiro", orienta.
Outra opção que está na crista da onda são os títulos do Tesouro Direto. Segundo Oliveira, a aplicação é segura porque são papéis do governo federal e tem uma boa rentabilidade. Ele faz uma restrição: a taxação do Imposto de Renda (IR) e as taxas de administração e custódia podem ser desvantajosas, porque é um investimento de longo prazo e ações variáveis.
Especialista em finanças pessoais, o professor de economia da Faculdade Boa Viagem (FBV) Alexandre Jatobá recomenda que o investidor identifique o seu perfil. "Se você tem perfil moderado (não gosta de arriscar no mercado financeiro), faça um mix de aplicações com previdência privada e fundos de renda fixa." Outra opção é comprar imóveis cujo aluguel pode ser usado como renda complementar.
O vice-presidente da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), Osvaldo Nascimento, considera baixo o nível de poupança no país. Vamos aos números: apenas 11 milhões de brasileiros têm planos de previdência privada e 5 milhões estão abrigados nos fundos de pensão (previdência fechada).
Ele defende que as empresas sejam estimuladas a contratar planos de previdência complementar para os seus funcionários para ampliar as coberturas. Por outro lado, acha necessário que seja feita um programa de educação financeira para conscientizar a população da importância de se preparar para a aposentadoria.