Aumenta procura por previdência complementar, mas juro menor e longevidade preocupam investidor

Os brasileiros estão cada vez mais preocupados em ter uma vida confortável na terceira idade. É o que mostram dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) divulgados recentemente. De acordo com a instituição, no primeiro trimestre deste ano, os investimentos em previdência privada aberta foram 26% maiores, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo o levantamento, as aplicações somaram cerca de R$ 15 bilhões de janeiro a março de 2012. Considerando apenas os valores de março, a expansão de quase 40% em relação ao ano anterior foi recorde para o mês. Antes, os investimentos em aposentadoria complementar eram pouco expressivos, de acordo com a Fenaprevi. A pesquisa não leva em conta os fundos de pensão fechados.

O maior crescimento no setor, de 28%, foi observado nos planos individuais, contratados pelo investidor por conta própria em seguradoras ou bancos.  Já a captação dos planos empresariais subiu 19% no período, e a de produtos para crianças e adolescentes, 14%. Nos 12 meses de 2011, as aplicações nos planos corporativos subiram mais que nos individuais, pela primeira vez na série histórica: 29% contra 14%.

Nova realidade
Em que pese o aumento da procura por uma aposentadoria complementar, a baixa rentabilidade de fundos conservadores mudou completamente as perspectivas dos candidatos à aposentadoria. A nova realidade de juros no Brasil não combina com a acomodação, ainda mais quando se leva em conta o aumento da longevidade. Segundo dados do mercado segurador, a expectativa de vida dos homens aumentou de 84,5 para 86,4 anos. As mulheres vivem ainda mais. Chega, em média, aos 89,7 anos, pela tábua atuarial BR-EMS de 2010.

Deixar para verificar o desempenho do plano de previdência na hora de se aposentar é mais do que uma temeridade. "O mercado vive de ciclos. Não dá para fazer um plano e esquecer. Os cálculos têm de ser revistos pelo menos uma vez por ano", diz Rodrigo Menon, planejador financeiro certificado (CFP) pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros

A mudança de perfil exige cautela. "Ninguém pode chegar a um investidor acostumado com aplicações de baixo risco e dizer para ele colocar seu dinheiro em alternativas mais arriscadas. Não se muda o perfil de investimento da noite para o dia", afirma Renato Russo, vice-presidente de Vida e Previdência da SulAmérica, também entrevistado pelo Valor.

O investidor que não consegue poupar mais tem outras saídas, que também vão gerar algum sacrifício. Pode adiar a data da aposentadoria ou reduzir a previsão de renda no futuro. Para quem está se aproximando da idade da aposentadoria e não tem condições de acumular uma reserva maior, uma alternativa é repensar seu perfil de consumo.