Como a cié ncia comportamental pode ajudar a resolver desafios

Como a cié ncia comportamental pode ajudar a resolver desafios

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Um problema simples. Homens costumam errar a mira no micté rio e quando vé o ao banheiro fazem a maior sujeira no ché o por causa disso. Mas aeroportos e bares espalhados pelo mundo tem conseguido solucionar a questão em 80% dos casos com uma singela mudané a. Os estabelecimentos colocaram um adesivo de mosca no micté rio. Assim, quem vai usé -lo tem um ponto para se concentrar. Enfi, uma solu o simples.

A chave para a solu o dos problemas nos banheiros pé blicos estava em uma área de estudo chamada cié ncia comportamental. E a boa noté cia é que ela pode ser aplicada na implementação de polé ticas públicas e até dentro de empresas. Nesta quinta-feira (24/08), o evento “Cié ncia Comportamental: Como acelerar as mudanças que o Brasil precisa a partir de uma nova visão do comportamento humano” reuniu especialistas para discutir o tema em Sé o Paulo.

O conceito é antigo, mas tem vivido seu período de ouro na última decada. é uma área que tem ganhado destaque por causa de grandes livros (como “Ré pido e Devagar”) e prêmios para especialistas que jogaram luz sobre o tema.

Mas a que se dedica a cié ncia comportamental? Em parte, a estudar como os nossos pensamentos e sentimentos impactam os fené menos econé micos, explicou Vera Rita de Mello Ferreira, professora e consultora de psicologia ecé nomica e educação financeira.

A ideia principal é que nossa racionalidade é limitada — muito mais do que gostaré amos. Existe um “mito da racionalidade”, diz Flé via é vila, fundadora da consultoria InBehavior Lab. “Não somos máquinas de calcular.” Ou seja, temos percep o e julgamentos sobre tudo. “Nossa aten o e percep o é seletiva. Em muitos casos, não sabemos quais são nossas preferé ncias. Somos muito sugestioné veis”, diz Vera Rita.

Temos o que a professora chama de “semé foro emocional”. Um sinal verde aparece na nossa mente quando gostamos de algo, mesmo que aquilo não tenha base em fatos e possa nos prejudicar, e um sinal vermelho aparece quando algo não nos agrada. Não temos dinheiro? Né ignoramos esse fator (sinal vermelho para aquilo) e passamos a compra no cartão. “Tudo isso acontece na nossa mente antes de tomarmos decisões, é inconsciente”, explica Vera. “Somos muito vulneré veis a pressões sociais. Somos otimistas, ou pessimistas, em excesso. Não tomamos sempre as melhores decisões para nós mesmos.”

Segundo a especialista, entender de verdade esses fené menos permite que sejamos mais eficientes. “Trazemos a cié ncia comportamental para ajudar as pessoas a tomarem melhores decisões.”

Para entender a cié ncia comportamental, é preciso conhecer a “arquitetura da escolha”, que é o contexto para a tomada de decisão. Esse é o primeiro passo para catalisar uma mudané a.

Existem exemplos bem-sucedidos ao redor do mundo. O do micté rio é um deles, mas hé outros. Nos Estados Unidos, uma simples mudané a revolucionou o sistema de previdência privada. Antes, os cidadãos tinham de marcar em um formulé rio “si, quero aderir”. O resultado era que poucos aderiam é previdência. Mudaram para “não, não quero aderir”. Por causa disso, a ado é o daquele produto aumentou. “Somos muito propensos é inércia, a gente prefere ficar onde está “, explica Flé via.

O problema é que aé entra a questão de quanto o estado pode interferir em processos a fim de mudar o comportamento das pessoas. Segundo Marina Cané ado, cofundadora da associação Travessia e sé cia-fundadora da consultoria Flow Brasil, os americanos e britânicos tem avané ado nessa questão, embora com Donald Trump represente um passo para três . Esses governos come aram a considerar insights comportamentais em sua atuação, de acordo com ela.

Para sair do papel, um projeto do governo ou uma empresa que queira aplicar a cié ncia comportamental em uma ação deve, primeiro, identificar quais comportamentos quer gerar na população (ir ao posto de vacinação para tomar vacinas, por exemplo). Depois, o governo ou empresa deve descobrir os fatores que influenciam a tomada de decisão. Em seguida, desenhar intervené ões (como aquela mosca do micté rio), fazer muitos testes e, por fi, aplicé -lo.