Cr dito fácil: Endividamento dos brasileiros

Um em cada três brasileiros deve mais de R$ 1.000
Banco Central está monitorando 99% das operações de crédito no país

Um em cada três brasileiros tem algum empréstimo no valor de, pelo menos, R$ 1.000 em bancos, financeiras ou no cartão de crédito, conforme levantamento inédito do Banco Central (BC). São 60,9 milhões de pessoas que possuem operações de crédito ativas em instituições do país.
Quantidade que não oscilou muito nos últimos meses e deve seguir perto desse patamar até o fim do ano, segundo previsão do BC. Mesmo assim, o volume de operações tende a crescer porque os atuais clientes devem tomar novos financiamentos.
Os números mostram que o universo de brasileiros que usam crédito não é nada desprezível. Se fosse um país, o grupo de quase 61 milhões de pessoas seria a 23ª nação mais populosa do mundo, à frente de países como a África do Sul e a Espanha.
O retrato detalhado do universo de pessoas que usam o crédito no Brasil é o primeiro resultado da ampliação do chamado Sistema de Informações de Crédito (SCR). Desde janeiro, esse banco de dados é alimentado pelos bancos, que são obrigados a detalhar operações individuais ou conjuntas que somem mais de R$ 1.000. Antes, só empréstimos acima de R$ 5.000 eram declarados. Com isso, o BC passou a ter dados para acompanhar com lupa 99% de todas as transações de crédito no Brasil. Antes, os detalhes chegavam a 88%.
O cantor Diego Lisboa é um dos brasileiros que possui empréstimo ativo. "Eu estou pagando o financiamento de um carro. A minha dívida é de cerca de R$ 20 mil", diz. Ele conta que, como é autônomo, sofre com alguns imprevistos no orçamento e, algumas vezes, chega a pagar a parcela com atraso. Entretanto, ele ressalta que hoje administra melhor o dinheiro. "Já estive enrolado com o cartão de crédito. Custei a sair da dívida. Os juros altos dificultam o pagamento. Hoje, não uso mais o cartão", conta.
Para o cantor, muitos brasileiros têm dificuldade em lidar com o crédito, mas ao mesmo tempo ele é necessário. "As coisas não são fáceis no nosso país, para comprar alguns produtos só financiando mesmo", diz.
Ele afirma que é importante ter uma poupança para uma emergência, mas confessa que é complicado guardar dinheiro. "Nem sempre dá", observa.

Cartão

O metalúrgico A. S. (que preferiu não se identificar) também está endividado. "Tenho que pagar R$ 32 mil, fruto de dívidas de três cartões de crédito, cheque especial e mais o crédito pessoal oferecido pelo banco", diz.
Ele conta que vai pagar o valor em 70 parcelas. "Vou começar no mês que vem. Quero mudar, só que sempre fui descontrolado com o dinheiro. Se me oferecem crédito, eu pego", frisa.
Aos 37 anos, divorciado e com um filho de 12 anos para pagar pensão, o metalúrgico conta que a dívida mudou a sua vida. "Uma parte do meu orçamento já é comprometido com a pensão. Agora, tem mais as parcelas fixas da dívida", ressalta. Para tentar reduzir a dívida, ele pretende vender o carro que, inclusive, foi um dos motivos do endividamento.

Crédito deve aumentar mais em 2013

O Indicador de Perspectiva do Crédito ao Consumidor, feito pelo Serasa Experian para prever a perspectiva de crédito em seis meses, subiu 0,1% em julho de 2012, a primeira alta após nove meses consecutivos de queda. De acordo com a entidade, por se tratar da primeira variação positiva após uma longa sequência de quedas, o crédito ao consumidor deverá evoluir com maior vigor apenas a partir do início de 2013.
De acordo com economistas do Serasa, o patamar ainda elevado da inadimplência dos consumidores é o principal fator para as concessões de crédito mais contidas. Para eles, o crédito ao consumidor só ganhará força com o recuo consistente da inadimplência. Já a perspectiva para empresas recuou pelo segundo mês consecutivo, com queda de 0,2%.