Cresce endividamento – entenda como funciona ciclo que assusta fam lias

Cresce endividamento – entenda como funciona ciclo que assusta fam lias

2013-08-15-infomoney-negociosOs números sobre o endividamento no país cada vez mais ocupam os noticié rios, para se ter ideia o endividamento das famílias subiu para 59,6% em maré o, maior que o do mês passado, que ficou em 57,8%, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplé ncia do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

“Para agravar ainda mais a situação, os juros bancé rios são exorbitantes e a grande maioria dos brasileiros recorre a empréstimos e linhas de créditos. Mas usar essas ferramentas sem conhecer em detalhes o funcionamento do sistema é uma das faces do comportamento de risco financeiro mais comum na cultura de endividamento”, explica Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e autor do livro Livre-se das Dé vidas (Editora DSOP).

Domingos alerta que é importante os consumidores saberem calcular o impacto de financiamentos (cartão de crédito, cheque especial, financiamento da casa pré pria, do carro, de eletrodomêsticos, entre outros) em seu oré amento, e refletir sobre a real capacidade de pagamento antes de optar por uma linha de crédito.

Ciclo do endividamento

Segundo Domingos, o ciclo do endividamento se constitui de Causas como analfabetismo financeiro, consumismo, marketing publicité rio e crédito fácil; de Meios já cheque especial, cartão de crédito, crediário, crédito consignado, empréstimos, adiantamentos e antecipação do IR -; e de Efeitos já problemas conjugais, problemas de saúde, desmotivação, baixa autoestima, produtividade reduzida, atrasos e faltas no trabalho.

já Para quebrar esse ciclo é necessério ajudar a ampliar o reperté rio da população sobre finanças, de forma consistente e carregada de sentido pré tico, para que assimile, o mais cedo possé vel, a importância do equilé brio financeiro para o bem-estar individual e social diz o presidente da DSOP Educação Financeira.

Em geral, a ciranda financeira segue o seguinte compasso: se a prestação da casa ou do carro não está cabendo no oré amento, a pessoa passa a pagar todas as demais despesas no cartão de crédito, imaginando que assim sobraré recurso para pagar suas principais dívidas. Dentro de poucos meses, no entanto, já não conseguiré quitar a fatura do cartão e passaré a pagar a parcela mé nima, até que entre algum recurso extra. Mas isso não acontece e a saé da é recorrer também ao cheque especial. Chega o come o do outro mês e a histé ria se repete. O salário recebido é suficiente apenas para cobrir o limite do cheque especial. Junto vem o dé bito referente aos juros do período mais a parcela mé nima do cartão acompanhada de juros. Sem alternativa, deixa-se de pagar a prestação da casa ou do carro. Quando se dé conta, a pessoa está endividada de todos os lados, correndo o risco de ficar inadimplente e sem linhas de crédito. Hé quem provoque a pré pria demissão para usar os recursos dos direitos trabalhistas para solucionar o problema. Quando percebem que o dinheiro não é suficiente buscam empréstimo. E assim vai até chegar ao fundo do po o.

A solu o é fazer um levantamento detalhado de todas as dívidas, separando os itens em já essenciais já e já não essenciais priorizando o pagamento das essenciais para evitar o corte de serviços indispensé veis. Deve-se também priorizar as dívidas que tem as taxas de juros mais altas. Provavelmente será o as dos empréstimos adquiridos junto ao sistema financeiro. Se assim for, o melhor é procurar o gerente e pedir que junte num mesmo pacote as dívidas de cheque especial, cartão de crédito e demais empréstimos e negociar uma linha de crédito diferente, mais alongada, com juros médios de 2,5%, cuja prestação seja menor do que o valor total dos juros que a pessoa pagava mensalmente. A partir desse acordo com o banco, o devedor estaré pagando não mais apenas os juros, e sim o valor principal, fazendo com que a dé vida seja efetivamente liquidada ao longo do tempo. Se não houver possibilidade de acordo com a institui o financeira ou se a parcela negociada não couber no planejamentoserá melhor poupar para quando for procurado pelas empresas de recuperação de crédito contratadas pelos bancos, tenha melhores condié ões de negociar a quitação em valores menores.

Perguntas que o consumidor deve se fazer antes de qualquer compra
já Eu realmente preciso desse produto?
já O que ele vai trazer de benefício para a minha vida?
já Se eu não comprar isso hoje, o que aconteceré ?
já Estou comprando por necessidade real ou movido por outro sentimento, como caré ncia ou baixa autoestima?
já Estou comprando por mim ou influenciado por outra pessoa ou por propaganda sedutora?
Se mesmo diante deste questionamento, a pessoa concluir que realmente precisa comprar o produto, seria prudente fazer mais algumas perguntas como:

De quanto eu disponho efetivamente para gastar?
já Tenho o dinheiro para comprar é vista?
já Precisarei comprar a prazo e pagar juros?
já Tenho o valor referente a uma parcela, mas o terei daqui a três , seis ou doze meses?
já Preciso do modelo mais sofisticado, ou um bé sico, mais em conta, atenderia perfeitamente é minha necessidade?