14/06/12

Crian as e dinheiro – uma relação que deve come ar cedo

Você se lembra da primeira vez que lidou com dinheiro?
Provavelmente sua primeira experiência com dinheiro aconteceu sem você perceber, observando como seus pais e outros adultos se referiam a ele, usava, gastavam. Para boa parte dos adultos não houve um momento de "aula" na infância sobre o significado do dinheiro – o que explica muitos dos problemas que enfrentamos.
Afinal, na escola não se falava em dinheiro e menos ainda como algo formal na maioria dos lares.
Hoje os tempos são outros. Crianças têm acesso a muito mais informação do que no passado e por esta razão é importante começar cedo a ensinar o que o dinheiro representa na sociedade para que dali cresça um indivíduo saudável financeiramente – sem considerar o dinheiro desnecessário ou importante demais.
Para quem tem filhos pequenos, a dica é começar a familiarizar a criança com dinheiro a partir dos três anos, mostrando a ela o valor de moedas, capazes de adquirir objetos, serviços. Claro que não se deve deixar uma criança com moedas sozinha, mas com a supervisão dos adultos, explique que cada moeda tem um valor diferente, um tamanho e com um determinado número delas pode-se trocar por um chocolate, um suco de caixinha, um brinquedo simples. Esta atividade, além de incentivar o pensamento lógico e matemático para o futuro familiariza a criança com o senso de valor.
Num segundo momento vale mostrar à criança que uma nota de um real representa dez moedas de dez centavos ou duas de cinqüenta centavos. Vale também levar a criança ao supermercado para que ela faça comparações de valores entre produtos similares – mostrando a seqüência numérica para que ela entenda qual é mais caro, mais barato – e assim compreenda que há muitas variedades e valores distintos no ambiente onde ela vive.
Crianças maiores, com quatro a cinco anos, já conseguem contar e podem auxiliar vendo os preços do supermercado fazendo paralelos do que um objeto custa em relação ao outro. Devem acompanhar um pagamento em dinheiro e verificar o troco, estimulando o raciocínio matemático e a atenção nos valores. Nesta idade, a criança já deve estar recebendo uma mesada, que pode ser um valor semelhante a idade dela – cinco reais para quem tem cinco anos, em moedas de um real e uma nota de dois reais – e incentivada a poupar uma parte.
Na idade escolar, a criança já se interessa por comprar coisinhas, ser independente financeiramente. Os pais precisam estar próximos da criança orientando para que ela não gaste toda a mesada de uma única vez – pois este gasto gradativo é o princípio de um controle financeiro futuro melhor. Lembro que a mesada deve ser dada para a criança comprar supérfluos, nunca como pagamento de material escolar, alimentação regular, medicamentos. É o dinheiro do aprendizado financeiro futuro.
Pré-adolescentes que já estejam recebendo mesada podem facilmente pedir aumento do valor. Nada mais justo avaliar se é momento de "promover" a mesada, mas cuidado para não remunerar trabalhos caseiros ou escolares, pois estas duas atividades são os deveres da criança. Se seu filho fizer uma atividade extra, como consertar algo, ou digitar um currículo para o vizinho ou parente a remuneração será bem vinda, pois mostra que produzir gera resultados financeiros, mas o trabalho caseiro ou estudo não podem ser trocados por dinheiro.
E quando se deve estimular que o adolescente procure um trabalho? Esta é uma pergunta com resposta bem variável. Se o adolescente tem um bom rendimento escolar, o dinheiro não será para complemento da renda familiar – portanto não há a necessidade de trabalhar, é um desejo do jovem – vale considerar que seja algo de tempo parcial, que não interfira nos estudos e tenha remuneração justa. Os pais devem orientar o jovem no uso do salário para poupar uma parte e usar o dinheiro com inteligência e moderação, inclusive estimulando investimentos, previdência e uma reserva para a universidade.
O importante é que a criança não fique "analfabeta" financeiramente, pois quanto mais cedo for introduzido o dinheiro na vida da criança mais naturalmente ela irá perceber sua importância e significado na sociedade. Não será escrava do consumo e nem irá supervalorizar o dinheiro acima de outros aspectos do cotidiano. Terá muito mais condições de compreender o consumo, a produção e a poupança para um caminho de sucesso e prosperidade.