Smiling Mother Looking At Her Daughter Sitting On Couch Holding Piggybank

Li certa vez uma especialista descrevendo que a educação financeira começa no ventre da mãe, durante a gestação. Segundo ela, uma mãe que tem hora certa para as refeições, para seu banho, para o descanso já começa a desenvolver na criança um senso de rotina e disciplina. Isso aumenta a probabilidade dessa criança manter-se também disciplinada durante seu crescimento e na vida adulta. Se você não é destas, não se desespere! Sempre é tempo de começar.

Considero que o aprendizado financeiro nada mais é do que um aspecto a mais na educação que damos para nossos filhos. Não deve ser dissociado da educação que damos em outras áreas. Tudo está conectado! Se nossos valores nos são tão preciosos, devemos ser muito cuidadosos em transmiti-los.

Neste sentido, a mesada é um instrumento importantíssimo de educação financeira. Não é presente, não é remuneração por trabalhos domésticos, nem deve ser usada como punição por não os fazer. Não é prêmio por boas notas, que são sua obrigação. Deve ser única e tão somente um instrumento de educação financeira. Ponto. A criança deve entender que seu direito de decidir sobre dinheiro é uma responsabilidade importante e merecida, ao qual ela fará jus se demonstrar amadurecimento compatível com a responsabilidade. Não considere qualquer outra coisa além disso.

Em relação à idade, pense em começar com cofrinhos para juntar moedas e começar a ajudá-los a fazer pequenas escolhas desde os 4 ou 5 anos de idade. A partir de uns 6, 7 anos, quando começam a pedir dinheiro para suas coisinhas e já têm noções de matemática, começa a ser bem efetivo introduzir a noção de mesada, ou seja, um valor fixo dado à criança pelos pais com uma regularidade determinada.

Algumas dicas que podem ajudar:

– É interessante negociar o valor com a criança. Entenda as coisas que ela gosta, repare o que ela pede. A necessidade deve vir deles. Considere dar um valor que cubra suas necessidades sem muita folga e incluindo uma pequena verba para guardar para itens maiores;

– Em termos de frequência, para crianças entre 6 e 9 anos, faz mais sentido pensar em semanada. Eles conseguem ter maior noção da rotina escolar e do fim de semana. À medida que vão crescendo, pode-se ir espaçando. Lá por uns 10, 11 anos talvez passar para quinzenal, e deixar para uma vez por mês com uns 14, 15 anos faz sentido. Não adiante os valores se a criança pedir sem uma boa justificativa (ou seu patrão sempre te dá um “vale”?), nem deixe de pagar em dia;

– Enquanto são pequenos, é melhor dar a mesada em dinheiro. O contato físico deixa as notas e moedas mais fáceis de serem identificadas e controladas. À medida que vão crescendo e já estão mais acostumados, devemos introduzir os conceitos de contas bancárias, ensinar que investimentos crescem com juros, usar meios eletrônicos de pagamentos (o que pode ser um desafio mais para os pais que para as crianças, com tanta inovação!);

– Ajude as crianças a separar seu dinheiro para consumo de dia a dia, para compras maiores e uma parte para doar (é importante aprender a fazer caridade). Uma boa ideia é usar envelopes separados, onde consigam contar o “saldo” de cada dinheirinho;

– Mostre também a importância de saberem onde estão gastando: incentive sua criança a anotar onde está indo sua mesada e ter consciência de seu consumo;

– Tome muito cuidado com a superproteção! Deixe-os se “lambuzar” um pouco e fazer más escolhas de vez em quando. Frustração e arrependimento fazem parte da vida, e nos fazem crescer. Melhor fazer isso com álbum de figurinhas ou uma boneca na infância do que com um apartamento ou uma viagem que não cabem no bolso quando adultos.

Tudo isso depende muito da maturidade de cada criança, isso você vai percebendo com o tempo, com muita conversa, de forma lúdica e divertida, e vai adequando com as necessidades e com as demandas dos pequenos.

Lembre-se que as crianças copiam muito o comportamento de seus pais. Se você tiver bons e conscientes hábitos de consumo e poupança, controlar adequadamente seus investimentos, estiver preparado para os imprevistos da vida, certamente conseguirá passar essas noções tranquilamente para seus filhos. Se não tiver isso assim tão arrumado… bem, os filhos podem ser uma ótima motivação para se ajustar, certo?

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Fonte: Revista Época Negócios


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