Dificuldade das pessoas em guardar dinheiro tem explicação científica

Dificuldade das pessoas em guardar dinheiro tem explicação científica

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O brasileiro poupa pouco. Segundo um estudo elaborado pelo Congresso Brasileiro de Pesquisa de Mercado, sé 36% afirma guardar dinheiro. Desse universo, a maioria utiliza a caderneta de poupané a. Mas por que é tão difácil guardar dinheiro? A resposta pode estar no funcionamento do nosso cérebro.

De acordo com uma pesquisa realizada ano passado pela revista norte-americana de estudos cienté ficos Scientific American, o ser humano prefere um pequeno benefício imediato a uma grande conquista no futuro. Tal caracterástica comportamental é um dos fatores que dificultam as pessoas de guardar dinheiro. Outro dado importante: a área do cérebro que pensa e avalia o presente é cerca de 10 vezes mais fraca do que a parte responsável pelos impulsos. Sendo assim, como já enganar já nossa tendé ncia natural e mudar de comportamento?

” No caso brasileiro, antes precisamos considerar fatores históricos, sociais e psicológicos. Houve um tempo – e não faz muito – em que, por causa da inflação, a melhor forma de poupar era gastando. O problema social é que o consumo hoje é uma linguagem. Consumir empodera e dé status em nosso círculo social. Além disso, também é percebido como fonte de prazer”, explica o economista Luciano Araé jo.

Para o especialista, poupar não passa nenhuma mensagem para o círculo social, enquanto que o consumo passa uma mensagem direta de pertencimento a determinado grupo.

“Poupar é manter uma relação privada com o dinheiro. é um movimento contrário ao que a sociedade nos cobra atualmente, que é o consumo como uma forma de satisfação pessoal” diz o economista.

Para ele, o principal motivo pelo qual as pessoas não guardam dinheiro é a falta de autocontrole, procrastinação e a inércia. No campo psicológico, essa é uma dificuldade mesmo para quem já tem algum conhecimento de educação financeira.

“Se pensarmos na poupané a para aposentadoria, hé mais um fator que interfere, que é a tendé ncia que todos nós temos de dar um peso maior é perdas imediatas do que é perspectiva de ganhos no futuro. Isso explica a nossa resistância em come ar a guardar dinheiro no presente” conclui o economista.

Dica de leitura

Objeto de estudos na área da Economia Comportamental, a dificuldade das pessoas em poupar serve de fonte para teses acadêmicas e livros. Uma das obras mais festejadas é o livro Ré pido e Devagar – Duas formas de Pensar. Escrito pelo israelense Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Economia, o volume mostra as formas que o pensamento adquire no nosso cérebro: ré pido, intuitivo e emocional; devagar, lé gico e ponderado. A lógica como o cérebro interpreta as decisões ligadas ao ato de guardar ou gastar e os sistemas de recompensas são esmiué ados no livro.

Ré pido e Devagar – Duas Formas de Pensar. Editora Objetiva, com 624 páginas. 2012