Educação financeira come a na escola

 O planejamento financeiro é, antes de tudo, uma questão de hábito. Como todo bom hábito, nada melhor que comece o quanto antes. Pensando nisso, o Laboratório Ábaco (Faculdade de Educação), sob coordenação do professor Gilberto Lacerda, estabeleceu parceria com uma empresa privada especializada em educação financeira para adaptar e testar na prática uma metodologia simples e didática, capaz de fazer com que crianças de 6 a 14 anos aprendam a importância de se saber ganhar, gastar, acumular e também investir o dinheiro com responsabilidade.

 
O projeto foi implantado ano passado em 12 escolas particulares de Brasília. No mesmo ano, 150 professores e 5,3 mil alunos tiveram acesso ao método, que inclui uma plataforma online com vídeos, materiais extras e fóruns, além de aulas presenciais e livros didáticos. São 16 atividades distribuídas em 20 aulas ao longo do ano letivo. Em 2014, todas as escolas brasilienses participantes renovaram a parceria e a previsão é que o método seja expandido para cerca de 40 instituições de ensino, atingindo 17 mil estudantes do Rio de Janeiro, Distrito Federal, de São Paulo e Goiás.
 
Apesar de recente, a iniciativa já apresenta resultados positivos. "Por meio de coleta de dados e observações, notamos pequenas mudanças de hábito", comemora uma das autoras do material, a professora da Universidade Aberta do Brasil (UAB/UnB) e mestre em Tecnologias da Educação pela UnB, Silvana Iunes. "Professores e pais nos relataram que houve avanços em relação à preocupação dos alunos com energia, por exemplo. Eles também aprenderam a refletir sobre o que é uma necessidade real e o que é um desejo de consumo", explica.
 
A educadora financeira e autora da metodologia Carolina Ligocki argumenta que a ideia é "ajudar as crianças a terem vida financeira própria, tendo a ética e a sustentabilidade como limites". O objetivo é partir da realidade próxima dos pequenos para discutir questões como o impacto ambiental do consumo, composição dos preços das mercadorias, noções de caro e barato. "Elas aprendem a ver que o lápis é feito de madeira, que vem da árvore. Morder ou apontar demais esse lápis gera um impacto na natureza", exemplifica. "Ter essa clareza ajuda as crianças a fazerem escolhas de consumo conscientes", completa.
 
As autoras também disponibilizam gratuitamente para os pais o livro Ajude seu filho a usar, gerar e ter dinheiro.