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16/06/14

Educação financeira na infé ncia e base para a aposentadoria

 O momento da aposentadoria é um sonho para muitos brasileiros. E também um grande desafio, principalmente com o aumento da expectativa de vida. Uma das saídas para buscar um futuro financeiro tranquilo é começar a cultivá-lo desde criança. Especialistas são unânimes em dizer que a formação das crianças e adolescentes em educação financeira é fundamental para formar cidadãos mais conscientes, disciplinados, organizados e com capacidade de planejamento.

 
Na visão do diretor de Gestão da Saraiva Editores, Marcus Mingoni, especialista em educação financeira, quem não planejar seu futuro terá sérias dificuldades em manter o padrão de vida na velhice. Ele lembra que a expectativa de vida do brasileiro passou de 57,6 anos em 1970 para 74,6 em 2013, segundo a Tábua Completa de Mortalidade para o Brasil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – que tem impacto direto na fórmula do fator previdenciário, usado para o cálculo das aposentadorias do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
 
“Tudo leva a crer que, com o passar do tempo, a idade mínima para se aposentar subirá e o valor dos benefícios, cairá. Isso porque o aumento da expectativa de vida se alia à queda da taxa de natalidade, gerando pressões sobre o orçamento do governo. Haverá proporcionalmente cada vez menos trabalhadores na ativa para sustentar os benefícios de um volume crescente de aposentados. Assim é essencial que a pessoa aprenda o quanto antes a se planejar financeiramente”, afirma Mingoni.
 
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, existe ainda uma barreira cultural para o desenvolvimento da educação financeira infantil. “Nossos avós e pais não foram educados financeiramente; essa não é uma cultura de nossa sociedade. Então, é natural que a maioria de nós também não tenha essa formação, acabando por não ensinar nossos filhos. A importância de educar financeiramente as crianças está justamente na ideia de quebrar o ciclo de pessoas analfabetas financeiramente, que só aumentam o índice de endividamento do país”.
 
O professor e autor de obras em Direito Previdenciário, Marco Aurélio Serau Jr., observa, ainda, que a educação financeira pode evitar a formação de futuros conflitos previdenciários, especialmente a necessidade de entrar com ações judiciais.
 
Cofrinho
 
Os especialistas destacam que o princípio da educação financeira é ensinar a lidar com o dinheiro para que sonhos – pequenos ou grandes – sejam realizados. E uma boa ferramenta para iniciar as crianças no mundo financeiro é o cofrinho.
 
“É preciso mostrar às crianças que o tradicional porquinho não serve somente para colocar moedas, mas também para guardar sonhos. Assim, ela vai entendendo o valor do dinheiro e a relação dele com a realização de seus objetivos. É claro que, após esse contato mais próximo com o dinheiro e com a forma de administrá-lo, fazer uma poupança para os filhos é uma ótima maneira para começar a ensiná-los sobre como utilizar os rendimentos a seu favor”, explica Reinaldo Domingos.
 
Espelho
 
Mesmo após essa iniciação, a continuidade da educação financeira não é fácil. Para começar, é preciso entender que os filhos se espelham nos pais. “O aspecto primordial é o velho e bom exemplo. Ainda não inventaram nada melhor como estratégia de ensino. Se os pais estiverem sempre no “vermelho” com o limite do cheque especial estourado e com dívidas no cartão de crédito, não há como esperar que os filhos desenvolvam uma postura responsável”, aponta Marcus Mingoni.
 
Para o gestor da Saraiva, é essencial que os pais entrem em acordo sobre os objetivos financeiros da família. “É importante envolver os filhos nesse processo, de maneira franca e realista, evidentemente adequando o discurso à idade e à maturidade das crianças. Os limites do orçamento familiar precisam ficar claros e é preciso debate os planos para conquistar os objetivos – a compra de casa própria, troca do carro, formação de poupança para a faculdade dos filhos, viagem etc. Quando as escolhas são feitas de forma participativa, os projetos ganham sócios comprometidos e evitam-se os desgastes de relacionamento”, orienta Reinaldo Domingos.