Educação financeira, uma necessidade

 O século XX foi para todos nós o século da evolução técnico-tecnológica. No atual cenário econômico, advindo das transformações ocorridas o mercado financeiro, tornou-se algo economicamente mais expressivo do que um elemento de intermediação entre depósitos e investimentos. Passou a exercer papel importante na determinação dos níveis de crescimento de um país, das empresas e mesmo na composição do patrimônio de cada cidadão. 

Se observarmos com atenção, veremos que há alguns anos atrás, a vida financeira do cidadão e da cidadã comu, restringia-se ao recebimento do salário, pagamento de contas diversas, planejamento da aposentadoria e, quando de um nível econômico maior, as pessoas se preocupavam com os investimentos. 

Na atualidade, o comportamento é bem diferenciado. Somos levados a nos tornar administradores de nossas próprias finanças e a gerenciar nossos recursos junto ao mais diversificado mercado financeiro. Se formos levados a isso, o fazemos na busca constante de garantir os meios básicos de subsistência. Tudo que fazemos hoje é na busca da independência financeira de amanhã. Controlar despesas, poupar, planejar, gastar… Tudo em busca de uma independência econômica que nos auxilie no futuro e garanta a qualidade de vida.

Neste sentido, a Educação Financeira torna-se fundamental.  Segundo Cláudia Kodja, graduada em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas e doutoura em História Econômica pela Universidade de São Paulo, “se as pessoas desconhecem os conceitos básicos ligados à poupança e ao crédito estão em enorme desvantagem e vulneráveis ao risco. A saída é a inclusão de matérias ligadas à Educação Financeira no currículo escolar. A atualidade deste tema é evidente, não apenas em países como o Brasil, que estão iniciando períodos de experimentação como em estruturas capitalistas dinâmicas”. 

Desta maneira, ainda segundo Kodja, a formalização dos temas relacionados à educação financeira nos currículos das escolas é uma exigência dos tempos atuais, devido à importância assumida pelo sistema financeiro no cotidiano dos cidadãos. Especialmente em países cujas características de consumo anunciam uma evidente tendência à gasto e à escassez de poupança.

Em alguns estados do Brasil, em Escolas Públicas e Particulares, já existe a inclusão  do tema Educação Financeira. Esta inclusão acontece através de atividades transdisciplinares ou multidisciplinares, entretanto não existe ainda como componente   nas Matrizes Curriculares. Assim, siglas como Sistema Financeiro Nacional (SFN); Sistema de Registro Liquidações e Custódia (Selic) e  Comissão de Valores Mobiliários (CVM) farão parte dos currículos escolares numa ação por decreto, aprovada pelo governo federal em dezembro de 2011.

Vejo com   simpatia esta ação, pois, segundo a Estratégia Nacional de Educação (Enef) as Escolas Públicas contarão com aulas de Educação Financeira incluídas no currículo básico.  Mas é preciso considerar que é necessário ter cautela e grandes investimentos com a formação continuada dos profissionais de educação, que necessitarão de preparo teórico e prático para trabalhar com esta temática de forma coerente. 

É bem verdade que a responsabilidade dos pais não diminuirá frente a este processo de orientarem seus filhos a lidar com dinheiro, sejam crianças, adolescentes e jovens. É na família que as relações sobre limites, responsabilidades, planejamento financeiro e a importância de poupar devem se estabelecer. Sabemos que com planejamento é possível realizar os sonhos de consumo que são comuns a todas as pessoas. São os pais os primeiros educadores, a Escola, caberá sistematizar cientificamente tais conhecimentos.

(Márcia Carvalho, pedagoga; psicopedagoga; mestra – Sociedade, Políticas Públicas e Meio Ambiente; diretora administrativa – Câmara Municipal/Goiânia)