Finanças pessoais: Renegoci é o de d vida

Falando de finanças pessoais, o melhor dos mundos é quando tudo que você recebe ao final do mês é suficiente para pagar todas as contas. O problema é que isso nem sempre acontece e as dívidas vão se acumulando e pesando cada vez mais no orçamento. Quando a situação começa a ficar insustentável, é possível apelar, por exemplo, para a renegociação das dívidas.
Educadores financeiros explica, poré, que antes de se dirigir ao banco, decidido a lutar por taxas de juros menores e prazos maiores, o consumidor deve fazer uma boa análise da sua atual situação financeira. “Se ele não souber o quanto ele tem e quanto ele terá disponível para pagar, ele não vai conseguir avaliar uma proposta do banco”, explica o economista e professor de finanças Richard Rytenband.

Analisando a capacidade de pagamento
E isso acontece muito. Devedores em péssima situação vão ao banco sem ter clara qual sua realidade financeira, aceitam qualquer proposta e, em poucos meses, a situação volta a ficar complicada. Assim, o processo de renegociação de uma dívida deve começar muito antes de ir ao banco.
Após analisar sua capacidade de pagamento nos próximos meses, veja quais são suas dívidas e organize-as seguindo uma ordem de prioridade, das mais caras, ou seja, que tem juros mais elevados, até as mais baratas.
O vice-presidente de planejamento do Ibef (Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças), Mauri Mendes, sugere que o consumidor tente pagar as contas menores, que são mais difíceis de serem renegociadas. Depois, vale ir ao banco e tentar renegociar as contas de maior valor. Uma boa renegociação é quando o consumidor consegue alterar sua dívida de modo que ela caiba na sua atual realidade financeira, por isso, de novo, é essencial que ele tenha clara a sua situação.

Lógica bancária
Dentro da lógica bancária, Mendes explica que os bancos estão, si, interessados em ajudar o devedor, porque não é vantagem nenhuma para a instituição manter uma situação que vá gerar inadimplência. “O banco está interessado que você pague”, diz Mendes. Por isso, ele vai se mostrar flexível.
Mas é importante lembrar que a paciência do banco não é infinita. Ou seja, se você decidiu sentar para discutir novas taxas e novos prazos, faça isso com o máximo de segurança que, dessa vez, você será capaz de arcar com elas, pois os bancos não costumam ser tão receptíveis com pedidos reincidentes de renegociação.
A renegociação da dívida vai depender da política de cada banco, mas, no caso das dívidas menores, vale a pena tentar uma redução dos juros, pois estas são mais difíceis de serem alongadas. Nas dívidas maiores, os bancos tendem a ser mais flexíveis tanto em relação às taxas de juros quanto aos prazos, conforme explica Mendes.
Para chegar a uma situação ideal, é importante que o consumidor saiba que vai depender mais dele do que apenas do banco. Isso porque a situação ideal é aquela que cabe no orçamento do devedor, que precisa ter bem clara qual sua capacidade de pagamento. Ao fazer o planejamento financeiro, inclusive, o consumidor consegue identificar quais os gastos desnecessário que podem ser eliminados, o que aumentará sua capacidade de pagamento.

À vista
Se a ideia da renegociação for fazer o pagamento à vista de uma dívida longa, há dois pontos a serem observados. “Se ele vai trazer uma série de parcelas para o valor presente, o banco deve retirar por inteiro os juros futuros que deveriam ser pagos”, explica Mendes.
Além disso, o consultor sugere que o devedor solicite uma redução do montante da dívida, por contas dos altos juros que já foram pagos nas primeiras parcelas. Lembre-se de que o dinheiro tem um valor ao longo do tempo. As parcelas que já foram pagas tiveram juros e as que seriam pagas também consideravam os encargos financeiros.

Renegociação coletiva
No processo de renegociação de dívidas, Rytenband ainda lembra de uma modalidade nova, a renegociação coletiva. Empresas especializadas nesse trabalho reúnem uma série de devedores e tentam renegociar com os bancos, diz o economista, “contando com um poder de barganha muito maior”.
A sugestão é que o consumidor procure por esse serviço em situação de grande endividamento. De fato, será preciso arcar com os custos dessas empresas, mas, por serem especializadas nesse serviço e atuarem de forma coletiva, o custo pode compensar, segundo explica o economista.

Sinceridade
Por fi, ambos os especialistas concordam que, na hora de renegociar uma dívida, é preciso ser o mais honesto possível. O banco precisa entender sua situação e realidade financeira. Deixe claro os problemas que o levaram a chegar em tal situação, como desemprego e problemas de saúde, por exemplo. E também não adianta fingir que sua capacidade de pagamento é maior do que realmente é. Se você não conseguir novamente arcar com os pagamentos, a próxima renegociação não será tão simples.