Livre-se das dívidas em 5 passos

 Pode parecer que acabar com as dívidas é uma questão de ganhar na loteria, receber um aumento, ou esperar o dinheiro cair do céu. Mas, com um pouco de organização é possível sair do vermelho de um jeito muito mais fácil e sem precisar contar com a sorte.

Com o auxílio de Ronaldo Gotlib, advogado e autor do livro “Dívidas? Tô Fora! – Um Guia para Você Sair do Sufoco”, EXAME.com elencou cinco dicas para quem quer se livrar das dívidas sem complicações. Confira:
 
1. Conheça seus números
 
O primeiro passo para voltar a ver a vida azul é dedicar um tempo à reorganização do seu orçamento. “Conhecer seus próprios números é essencial. Ao fazer isso a pessoa sabe que mesmo recebendo 2.000 reais por mês, 1.000 reais já estão comprometidos e não assume parcelamentos e gastos que não cabem no orçamento”, diz Gotlib.
 
Gotlib sugere que em uma planilha as despesas sejam divididas em três classes: despesas fixas, que seriam contas que não sofrem variações, como aluguel e condomínio; despesas variáveis, que são aquelas que estão sempre ali, mas cujo valor pode mudar mês a mês, como conta de luz e telefone; e gastos com lazer, que são aqueles mais passíveis de corte, como a fatura do cartão de crédito.
 
Essa é apenas uma dentre as inúmeras maneiras de organizar o orçamento. Alguns aplicativos e sites também podem facilitar bastante a elaboração da planilha (veja na galeria ao final da página). O importante é encontrar a forma mais eficaz de tornar o controle financeiro um hábito.
 
2. Aprenda a controlar o ímpeto de gastar
 
Sempre que a vontade de comprar surgir Gotlib recomenda fazer três perguntas: “Eu posso comprar isso? Eu realmente posso comprar isso? E eu preciso disso?”.
Segundo ele, ao refletir sobre a real possibilidade de realizar algum gasto com base no orçamento é possível fugir do autoengano. “Ao pensar nos números eles mostram a realidade, mas sem eles sempre existe a possibilidade de inventar uma justificativa”, diz.
 
Entender os motivos por trás dos gastos impulsivos também pode ajudar. Essa é uma das propostas das finanças comportamentais, vertente da psicologia econômica que estuda as emoções que motivam – e muitas vezes distorcem – as decisões financeiras.
 
Uma das teorias dentro dessa corrente é a de que fazemos contabilidades mentais: nós fechamos na cabeça uma conta, que, se fosse feita em uma calculadora, não fecharia.
 
Em uma pesquisa realizada por Richard Thaler, professor da Universidade de Chicago foi realizada a seguinte pergunta: “Você se deslocaria 20 minutos para economizar 5 dólares em uma calculadora que vale 15 dólares? E para economizar 5 dólares em uma jaqueta de 125 dólares?”. 68% dos entrevistados responderam que dirigiriam pelo desconto na calculadora, mas apenas 29% o fariam pelo desconto na jaqueta.
 
Apesar de a economia ser a mesma, uma das situações é mais motivadora que outra. Isso explica por que muitas vezes gastamos um valor que, na verdade, não podemos pagar.
 
Como essas compras por impulso ocorrem com muito mais facilidade se o comprador estiver com cartões de crédito ou com cheque, uma dica pode ser utilizar apenas dinheiro vivo, que torna mais palpável o controle dos gastos.
 
3. Não pague o mínimo do cartão de crédito
“O pagamento mínimo do cartão é uma nomenclatura que deveria ser extinta e induz ao erro. Não existe pagamento mínimo”, diz Gotlib.
 
Ele explica que se a fatura do cartão é de 1.000 reais, ao fazer o pagamento mínimo de 150 reais, por exemplo, o cliente fica com um saldo devedor de 850 reais. Como os juros rotativos do cartão de crédito costumam girar em torno de 15%, sobre os 850 reais o cliente pagará cerca de 130 reais.
 
“Ele continua devendo quase 1.000 reais porque os juros quase chegam aos 150 reais pagos inicialmente. Por isso, ou o cliente paga o cartão de crédito integralmente ou evita usar o cartão, caso contrário ele só fica pagando juros e a dívida continua”, diz o autor.
 
4. Se organize antes de refinanciar a dívida
 
Antes de partir para o refinanciamento da dívida, Gotlib propõe que o devedor reflita sobre o que ele pode pagar de fato. “Ele não precisa se preocupar em pagar a dívida no primeiro momento, mas sim em saber quanto ele precisa para viver e quanto sobra para pagar o débito”.
 
Ao analisar a situação com calma, o devedor negocia melhor. Além de fazer um acordo baseado no que ele poderá realmente pagar, sem criar uma nova dívida impagável, sem parecer desesperado o devedor fica menos vulnerável a eventuais abusos por parte dos credores.
 
Conforme ele explica, existem dívidas mais agressivas, como as trabalhistas, que imediatamente lapidam o patrimônio, e as dívidas menos agressivas, como as de cartão de crédito. Gotlib afirma que muitas pessoas se desesperam com essas dívidas menos agressivas.
 
“A maioria das pessoas fica assustada porque as empresas de cobrança utilizam técnicas mentirosas, proibidas por lei, mas não existe prisão civil por dívida. O máximo que pode acontecer com o devedor é ter o nome sujo. Dificilmente ele será cobrado judicialmente porque é caro para a empresa, mas por medo ele entra em um ciclo de renegociação de dívida sem fim”, afirma Gotlib.
 
5. Organize as dívidas por escala de importância e só então renegocie
 
Depois de entender o tamanho das dívidas e qual seria a disponibilidade de pagamento, o especialista recomenda que os débitos sejam separados por prioridade.
“O devedor deve separar as dívidas mais agressivas, como a mensalidade escolar, que pode gerar um problema no estudo do seu filho, e deve priorizar o pagamento desse tipo de dívida à frente do pagamento do cartão, que pode ser negociado com mais facilidade”, afirma o especialista.
 
Depois de elencar as dívidas mais urgentes, é preciso ranquear as dívidas pelo tamanho dos juros. Mesmo se uma dívida for de 1.000 reais e outra de 1.500, se a primeira tiver juros de 15% e a segunda de 5%, apesar de a primeira dívida ser menor, no primeiro caso seriam pagos juros de 150 reais e no segundo de 75 reais, portanto é preferível quitar antes a dívida com maior taxa de juro.
 
Apenas depois de hierarquizar os débitos e analisar sua capacidade de pagamento o devedor então deve buscar a renegociação.
 
Neste ponto Gotlib recomenda que o devedor considere concentrar as dívidas em apenas um credor. “Se mesmo depois de negociar as dívidas o devedor não tiver como pagá-las, é sempre interessante conseguir uma linha de crédito com juros baixos e concentrar tudo em um só credor. O crédito consignado, por exemplo, é uma linha com custos baixos”, diz o autor.