Mesada e instrumento de educação financeira

Para a especialista em planejamento de finanças Cristiane Guimarães, oferecer mesada aos filhos é um valioso instrumento para educação financeira.

“Os pais que decidirem dar a mesada a seu filho devem saber que essa tarefa precisa ser levada muito a sério. Exige o cumprimento de regras. O objetivo é que a criança consiga distribuir seu dinheiro dentro de um determinado período de tempo, controlando quando e com o que vai gastar. A mesada não pode ser instrumento de premiação por boas notas ou status ante os amigos”, declara Cristiane.

A data e o valor da mesada devem ser cumpridos com rigorosidade: os pais devem lembrar que a intenção é fazer com que os filhos aprendam a se organizar sozinhos. Atrasos e alterações na quantia inviabilizariam o aprendizado.

“As crianças precisam entender como são gerados os recursos financeiros da família. Converse sobre o seu trabalho explique o que você faz para receber a remuneração”, afirma.

De acordo com Cristiane, ao mostrar que os pais trabalham e depois recebem por este trabalho ajudam a criança a entender que existe um tempo natural de espera. “Diminuímos sua ansiedade, desenvolvemos sua autoconfiança e mostramos a dinâmica de geração de recursos”.

A mesada é também uma forma de criar o hábito de poupar. Assim a criança cresce sabendo consumir e poupar com consciência.

“Crianças com idades entre três e cinco anos não conseguem esperar mais de três semanas para gastar o que acumulara, por isso os pais devem ajudar na escolha do objeto de desejo para garantir que seja possível comprá-lo”, afirma a especialista.

Para facilitar a organização, o ideal é separar dois lugares, um para os gastos e o outro para a poupança. Um cofre e um pote da alegria por exemplo. Defina com ele quanto e por quanto tempo terá que poupar para atingir seu objetivo.

Cristiane diz que uma boa maneira de ensinar sobre o que é importante e o que é supérfluo, é fazer com que os filhos paguem da própria mesada seus gastos extras, como a guloseima do supermercado ou os jogos do Ipad. “A ideia é incentivar as crianças a pensarem bem antes de gastar o dinheiro com itens que não sejam essenciais”.

Segunda a especialista, a criança terá que planejar para que a mesada dure até a chegada da próxima. Se o dinheiro acabar antes do tempo, os pais não devem ceder com antecipação ou empreste dinheiro. Quebrar aos sete anos é muito saudável e servirá de lição para a vida adulta.

“Dos três aos 11 anos de idade a criança está preparada apenas para receber semanadas. Para essa faixa etária a noção de tempo não comporta mais que o curto prazo. Por essa razão o dinheiro deve ser distribuído em pequenos intervalos. A partir dos 11 anos já é possível instituir a mesada”, finaliza.