Milhas reas viram moeda e criam um mercado

As milhas aéreas, mais do que nunca, valem dinheiro – principalmente porque deixaram de ser simplesmente uma forma de adquirir passagens grátis e movimentam um mercado estimado em R$ 2 bihões por ano. A Gol lançou, no mês passado, um shopping virtual em que o cliente pode gastar seus pontos nas lojas 30 de parceiros, entre redes como Wal-Mart, C&A, Pão de Açúcar, Tok&Stok, Marisa, escolhendo entre mais de 300 mil produtos. A empresa também vende milhas para os clientes que precisarem completar pontos para alguma aquisição. É possível comprar de 1 mil milhas (R$ 75) e 40 mil milhas (R$ 2.040).

A Multiplus, subsidiária da TAM criada em 2010, já mantinha uma estrutura de troca de milhas por produtos, com 120 mil itens de 207 parceiros. Os pontos nos programas de fidelidade também se tornaram alvo de comércio paralelo na internet, que começa a preocupar as aéreas e o Serviço de Proteção ao Consumidor (Procon).

A receita da empresas de fidelidade vêm dos valores pagos pelas próprias empresas aéreas ou pelos parceiros na hora de emitir as milhas. Assim, quando um cliente transforma os pontos de seu cartão de crédito, por exemplo, em milhagens da companhia aérea, a administradora do cartão paga à empresa aérea — valores que são definidos em contratos sigilosos. Da diferença entre o valor recebido e o custo do produto ou serviço usado pelo consumidor, vem o lucro. Quando o cliente deixa de usar seus pontos, eles não geram custos, portanto, geram um lucro ainda maior

Um relatório divulgado este ano pelo Banco Central mostra que só em 2010 os brasileiros deixaram de resgatar 101,3 bilhões dos 591,2 bilhões de pontos gerados nos programas de fidelidade dos cartões de crédito, ou 18% do total. Seriam suficientes para emitir cerca de 5 milhões de passagens do Brasil para qualquer destino da América do Sul, o equivalente a 3% do total de passagens emitidas no país, em voos domésticos e internacionais, naquele ano. Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe que os pontos não possam mais expirar.

De olho nesta reserva praticamente inexplorada de dinheiro em potencial, os sites se propõem comprar milhas, pagando por dinheiro vivo, proliferam. Além de pelo menos 20 sites em atividade em diversos estados, existem ofertas por meio de redes sociais como o Facebook e o LinkedIn.