Previdência

No Brasil a cultura previdenciária é quase inexistente. Não há educação nas escolas ou campanhas publicitárias estimulando os jovens a poupar desde cedo para ter uma aposentadoria digna. Se nossa taxa de poupança é baixíssima e não ajuda a financiar o desenvolvimento do País, muito é devido a esse fenômeno. Até a faixa de 40 anos as pessoas vivem o presente e só acordam para o futuro quando se aproximam dos 50. Aí o tempo para poupar é curto, um plano de aposentadoria sai caríssimo, não cabe no bolso, e o cidadão desiste.

O drama previdenciário é vivido no mundo inteiro, mas na Europa e EUA ele é amenizado pelos fundos de pensão que, ao complementar o valor da aposentadoria pública, proporcionam ao aposentado uma renda próxima de seu último salário. No Brasil, só 3,2 milhões de trabalhadores – apenas 3% da população economicamente ativa – têm fundos de pensão patrocinados por 202 empresas públicas e 2.128 privadas. Todos os seus ativos somados chegam a R$ 620 bilhões, equivalentes a 15% do PIB. Na Europa, países como Holanda, Inglaterra ou Suíça têm fundos com ativos que ultrapassam em muito o PIB inteiro do país.

Mas as vantagens da previdência complementar vão além da aposentadoria. A massa de dinheiro acumulado por fundos – a Previ sozinha tem R$ 162 bilhões em ativos – pode ser aplicada em projetos de infraestrutura e desenvolvimento do País. Pela característica de acumular patrimônio ao longo do tempo para começar a pagar aposentadorias só 30 anos depois, os fundos de pensão têm vocação natural para investimentos de retorno no longo prazo. Em projetos de infraestrutura, por exemplo, de que o País tanto precisa e não toca por falta de dinheiro.