Quanto custa ter um profissional feliz na empresa?

 Se fizermos uma rápida busca na internet, encontraremos algumas pesquisas que mostram que pessoas felizes, satisfeitas e equilibradas trabalham mais e melhor. Consequentemente, tendo pessoas felizes no quadro de funcionários, a empresa ganha mais, rende mais, lucra mais. Mas o que deixa uma pessoa feliz no ambiente de trabalho?

Conversando com diretores e gestores de recursos humanos de grandes companhias, percebo um discurso um tanto genérico sobre o assunto. Segundo esses executivos, para ser feliz, o ambiente de trabalho deve ser desafiador, ter um bom clima organizacional e oferecer oportunidades claras de crescimento. Posso citar ainda mais uma dúzia de situações que deixam um profissional satisfeito. E, se todas elas vierem no mesmo pacote, teremos então a empresa mais feliz do País.

Todo esse discurso é real, é factível para deixar o ambiente de trabalho mais saudável, com pessoas felizes e equilibradas. Poré, falta um componente importantíssimo, que poucos gestores abordam: a saúde financeira do profissional. E quando falo em saúde financeira, não estou aqui dizendo se o funcionário tem um salário alto ou baixo, se tem benefícios ou não.

Ter saúde financeira é mais do que isso. É saber o quanto se ganha e saber como administrar esse dinheiro. É chegar ao final do mês com as contas pagas e sem dívidas, principalmente cheque especial e cartão de crédito no rotativo. É passar todo o mês sabendo quanto se tem no bolso e quanto se pode gastar de forma organizada – e ressalto que isso não quer dizer comprar em várias parcelas porque ‘cabe no bolso’.

Se, além de um ambiente empresarial compatível com o discurso dos gestores de recursos humanos, o profissional tem uma vida financeira equilibrada, ele será uma pessoa equilibrada também e produzirá mais. Caso contrário, além de estar sempre preocupado, desatento e desmotivado, ainda culpará o empregador por achar que tem um salário baixo, quando na verdade ele não tem equilíbrio financeiro. Saber como organizar as finanças, ter educação financeira, independe de valor de salário.

Já vi casos de desequilíbrio tão grande que o profissional fez acordo com a empresa para ser demitido para, assim, poder usar recursos da rescisão contratual para saldar dívidas.

Muitas empresas acham que investir em educação financeira é caro e, por isso, optam por não oferecê-la aos funcionários. Por outro lado, orgulham-se em dizer que investem em ações de qualidade de vida para esses profissionais.

O fato é que investir em educação financeira também significa proporcionar qualidade de vida. Ensinar o valor do dinheiro e o que se pode ter com ele também faz com as pessoas sejam mais felizes. E, se estão felizes, elas produzem mais e as empresas ganham mais. É como um ciclo virtuoso.

Assim, pergunto: se educação financeira e qualidade de vida estão interligados, por que as empresas não investem nesse caminho? Ou será que as companhias não acreditam que o equilíbrio profissional também passa pelo bolso?

Mauro Calil é palestrante, educador financeiro, autor dos livros “Separe uma verba para ser feliz” e “A receita do bolo”, e ex- gerente geral do Instituto Nacional dos Investidores (INI).