Smiling Mother Looking At Her Daughter Sitting On Couch Holding Piggybank

O PhD. em Educação Financeira, Reinaldo Domingos, está em Teresina para ministrar palestras sobre o assunto em escolas e falou à Coluna Economia & Negócios, do Cidadeverde.com,  sobre a importância de inserir nos ambientes escolar e familiar ensinamentos sobre finanças.

Reinaldo é presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), tem 110 obras publicadas e já vendeu mais de 4 milhões de livros. Idealizou, em 2009, a primeira Coleção Didática de Educação Financeira para o Ensino Básico do país, composta por mais de 80 obras didáticas e paradidáticas, já adotada em diversas escolas públicas e privadas.

Confira a entrevista:

Economia&Negócios: Qual o primeiro passo para iniciar a educação financeira na vida das crianças?

Reinaldo Domingos: Capacitar os professores. Os pais não tiveram esses ensinamentos, então precisam primeiro se empoderar disso. Quando a gente trabalha nas escolas, trabalhamos o professor para que ele possa se capacitar na metodologia da educação financeira e levar isso para as crianças. Essas crianças levarão essas atividades para as famílias, para dentro dos lares. Em algumas dessas atividades os pais também participam e o aprendizado dos pais acontece dessa forma, quando a criança começa a provocar essas atividades.

EN: E essas atividades trabalham que foco?
RD: Os propósitos e os sonhos. Estamos num momento muito oportuno para discutir o assunto porque a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) diz que as escolas devem inserir, obrigatoriamente, a educação financeira em sua grade curricular a partir do próximo ano. Então, agora nós temos um respaldo educacional. E esse ensinamento é transversal, pode ser trabalhado em todas as disciplinas: português, matemática, etc, porque conversa com todas linhas do conhecimento.

EN: Qual será o impacto disso na vida das famílias?
RD: Acredito que haverá uma mudança significativa de comportamento. Pesquisa realizada no ano passado pela Abefin, chancelada pela Unicamp, mostra uma comparação entre as escolas que têm educação financeira e as que não têm. E essa pesquisa revela que nas escolas que têm há uma significativa mudança de comportamento das crianças e dos pais.

EN: E como essa mudança começa?
RD: Começa pela inserção de algo importante, que são os sonhos e os propósitos. Podem ser uma viagem, um carro novo, um computador ou até mesmo a independência financeira. Esses sonhos são os agentes motivadores que causam a mudança no comportamento. O que eu faria para reduzir os gastos se não houver motivação? É assim que começamos a ensinar as pessoas a fazerem escolhas. Dentro de uma casa tem excesso de gastos numa média de 30% em cada tipo de consumo, no supermercado, na luz, na água, etc. A ideia é deixar de gastar em excesso para realizar o sonho.

EN: A partir de que idade é possível começar a trabalhar a educação financeira?
RD: A partir dos dois anos. Nessa idade, a criança já entende que o dinheiro é capaz de comprar. A gente dá, por exemplo, duas moedas, e explica que uma é para o sonho. Assim, no cofrinho não guardamos só dinheiro, guardamos sonhos. Com isso, a criança começa a guardar mais para realizá-los, mas temos que ter um equilíbrio entre o ser e o ter, para não torná-la avarenta ou mesquinha.

EN: E que outros hábitos podemos inserir, além da economia no consumo?
RD: Temos, além da orientação do consumo consciente, o reuso, a reciclagem, o empreendedorismo, que é ensinar a produzir alguma coisa, a sustentabilidade e a cidadania – ensinar, por exemplo, que se deve pedir nota fiscal em todas as compras, para gerar o imposto, que vai para as luzes das ruas. Claro que para cada fase da criança há uma forma diferente de linguagem.

EN: A mesada ainda é um tema polêmico entre os pais. Ela é importante para ensinar sobre educação financeira?
RD: Sim, mas mesada não é só dinheiro. Há vários tipos de mesadas. A voluntária, que é aquele dinheiro que os pais dão voluntariamente, que todos nós recebemos, mas não sabemos que é mesada. A mesada financeira, que o ideal é começar a dar depois dos 7 anos de idade. Nessa fase a criança aprende a ter uma quantia de dinheiro todos os meses. Na mesada econômica, a família trabalha junto para reduzir os gastos, com o intuito que sobre dinheiro para fazer outras coisas. Tem a mesada empreendedora, que faz a criança produzir para ter retorno. Tem a mesada ecológica, que ensina sobre o reuso e a reciclagem, tem a mesada de troca, na qual ela troca um brinquedo que não usa mais com os amigos e cada um fica com um brinquedo novo. Tem a mesada social, na qual os pais se divertem com a criança sem precisar gastar e tem a mesada de terceiros, que é a que a criança recebe dos avós, padrinhos, tios, etc.

Fonte: Cidade Verde


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