Sensibilidade economica

 O Relatório de Estabilidade Financeira Global do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado em Tóquio, informa que o Brasil é um dos países emergentes com risco de crédito mais sensíveis às turbulências na Itália, Portugal, Irlanda e Espanha. Em compensação, o relatório também mostra que comparado com outros países emergentes o Brasil está relativamente menos vulnerável a uma fuga de capitais estrangeiros de sua dívida soberana. O principal risco que ronda o país é a sua rápida expansão de crédito, que pode se tornar o epicentro de uma crise, em caso de desaceleração econômica mais forte, que leve ao aumento da inadimplência. Num dos exercícios apresentados no relatório, o FMI investiga o que ocorreria se todo o capital investido por estrangeiros desde a quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, nos mercados locais de dívida em nove economias emergentes batesse em retirada de uma só vez. No caso do Brasil, isso representaria uma fuga de US$ 62 bilhões, o que dificilmente provocaria uma crise cambial, já que o volume de recursos em questão representa aproximadamente 17% das reservas internacionais brasileiras. No caso do México e da África do Sul, o volume representa cerca de metade das reservas. Os exercícios do FMI mostram que investidores domésticos brasileiros, como fundos de pensão, fundos de investimentos e bancos, teriam boa capacidade para ocupar o espaço dos estrangeiros no financiamento da dívida pública.