Sucesso ao planejar o futuro financeiro dos filhos

É preciso ensinar como gastar, escolher um bom plano de previdência e, até, manter segredo sobre a aplicação.

As irmãs gêmeas Mayra e Mayara, de 19 anos, estão a dois anos de resgatar os recursos do plano de previdência privado feito pela mãe, Elda Lucy Guimarães, logo que nasceram.
A futura engenheira elétrica, Mayra, quer utilizar o dinheiro para fazer um curso de especialização no exterior. Já a estudante de medicina, Mayara, quer investir na carreira, seja por meio de cursos de especialização ou montagem de um consultório; também pensa em adquirir um imóvel.
As meninas souberam somente no ano passado que a mãe fizera a poupança. Mas não foi por receio de que as filhas gastassem os recursos a torto e a direito que a mãe escondeu o fato esses anos todos:"Foi uma opção", afirma Elda.
E ela estava certa: isso não as estimulou a ir às compras. "Sempre soubemos dar valor ao dinheiro. Aprendemos que tudo que vem fácil vai fácil", diz Mayra. "Sabemos que tudo o que temos é resultado de planejamento", completa Mayara.
A educação dada pela professora e pedagoga às gêmeas deve ser seguida por pais que se preocupam com a maneira com que os filhos lidarão com o dinheiro. Para especialistas, o recomendado é envolvê-los nas discussões financeiras familiares.
"É importante que os filhos participem da rotina financeira da família, de forma a entender de onde vêm e para onde irão os recursos. Mas durante a infância e adolescência o envolvimento deve ser limitado. Apenas como ouvintes", sugere André Massaro, instrutor financeiro do MoneyFit.
Esse é o primeiro passo para que os recursos de um plano de previdência privada sejam empregados da melhor maneira possível.
Jurandir Sell Macedo, consultor de finanças pessoais do Itaú e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), diz que ensinar conceitos de educação financeira aos filhos aumenta as chances de a poupança ser aproveitada de forma correta no momento do resgate.
Para tanto, os pais devem deixar claro desde o início que os recursos devem ter destinos nobres, como por exemplo, educação. Ainda assim, o instrutor financeiro do MoneyFit acredita que os responsáveis não devem tratar os filhos como crianças. Caso contrário, o resultado pode não ser o desejado.
"Não é recomendado colocar obstáculos para sacar recursos que, tecnicamente, são do filho. Já vi casos em que os filhos se tornaram gastadores por não terem acesso a sua poupança", afirma.
"Também recomendo estabelecer um prazo para transição dos recursos ao filho. Isso o ajudará a traçar metas."
Para pais mais cautelosos, é possível adquirir um plano de previdência privada no qual se é o titular e o filho, o beneficiário.
Nesses casos, a contribuição pode exceder a idade limite de aporte de recursos quando o filho é o titular do plano, de 21 anos.
Contudo, as contribuições não serão mais dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda (IR) do responsável, explica Mauro Guadagnoli, superintendente comercial da Brasilprev, braço de previdência privada do Banco do Brasil (BB).
Ainda segundo o executivo, para que o filho seja titular do plano de previdência, é preciso apresentar CPF.
"Se o filho for titular, ele terá acesso ao plano de previdência privada até completar a maioridade, aos 18 anos. Antes disso, só com a autorização do responsável financeiro ou com a sua emancipação."
Apesar de ter uma vida confortável graças a diversos imóveis que recebeu como herança de família, Elda é do tipo prevenido, que gosta de se planejar. Antes mesmo de suas filhas entrarem na faculdade, já havia feito uma poupança para custodiar as despesas.
O próximo passo da pedagoga é ingressar em dois grupos de consórcio para presentear as filhas com um automóvel. "Sou divorciada e batalhei desde cedo para dar o melhor às minhas filhas", diz.