Guardar o cartão de crédito na gaveta, tirar o chocolate do carrinho do supermercado, cancelar o serviço de TV paga. Atitudes como essas são de grande ajuda para quem quer terminar o ano no azul. Se, num primeiro momento, elas parecem difíceis de serem tomadas, encará-las como temporárias pode deixar a tarefa mais fácil, sugerem os especialistas em finanças pessoais. O primeiro passo é colocar toda a vida financeira no papel: anotar todos os gastos, incluindo os de pequeno valor, e saber quanto da renda já está comprometida com financiamentos, empréstimos e compras feitas no cartão de crédito pelos próximos 30 dias.

"É preciso descobrir a situação real da família. Muita gente tem dificuldade de fazer esse diagnóstico, porque existem pequenos gastos que a pessoa não enxerga no orçamento. Esses gastos podem comprometer parte considerável do salário", diz Alexandre Damiani, educador financeiro da DSOP. Com tudo anotado, será mais fácil detectar "gorduras" que podem ser cortadas do orçamento. A partir daí, é preciso estabelecer metas claras. Por exemplo: reduzir em 10% o gasto com a conta de energia. A meta bem definida se torna um desafio para toda a família e pode virar um hábito saudável no futuro.

Alguns gastos podem ser negociados

Gastos que não podem ser cortados devem, ao menos, ser negociados. Antes de ligar para a operadora de telefonia celular, no entanto, o consumidor deve fazer uma "lição de casa": pesquisar os preços dos pacotes na concorrência. Assim, quando ligar para a empresa da qual é cliente, ele terá os argumentos na ponta da língua.

Eliminar gastos supérfluos, como o chocolate comprado no supermercado e o sapato da nova coleção do shopping, é uma atitude que também pode ajudar. Mas esses gastos não devem ser encarados com o mesmo rigor dos desperdícios, diz Jurandir Sell Macedo, consultor de finanças pessoais do Itaú Unibanco e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

"É hora de cortar os supérfluos, mas apenas temporariamente, porque eles dão sabor à vida", afirma. Ter em mente que a solução é temporária ajuda a tornar a tarefa mais simples.

É preciso procurar os credores

Pedir para o banco cortar o limite do cheque especial e deixar o cartão de crédito na gaveta são precauções para evitar que o consumidor caia em novas "tentações" de consumo. Essas atitudes também podem ajudar no estabelecimento de uma relação nova, e melhor, com o crédito.

"Vivemos muitos anos no Brasil sem crédito. Quando o acesso aos financiamentos voltou, muitas pessoas não sabiam usar. O crédito não serve para o consumidor gastar mais do que ganha. Ele serve para realizar um sonho, sair de uma emergência ou investir em educação", diz Macedo.

Os especialistas aconselham ainda que quem está com o nome sujo ou com dificuldade para pagar prestações já assumidas procure espontaneamente os credores. O maior erro, nesse caso, é se apavorar e pedir a ajuda de agiotas ou de empresas que concedem crédito não responsável, a juros muito altos.

"O consumidor precisa ter maturidade e mostrar para o credor que quer sair daquela situação e tem um plano para isso. O banco também tem responsabilidade na sua dívida e não pode se dar ao luxo de perder clientes. Por isso vai querer resolver", afirma Macedo.

As dicas de Macedo e Damiani poderão ser conferidas também na 11ª edição da Expo Money, que vai até sábado em São Paulo. Além de palestras com especialistas, a feira oferece orientação financeira gratuita (é preciso se inscrever previamente).

 

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Fonte: Economia Uol


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