T tulos do Governo x Fundos de Pensão

 Os fundos de pensão serão obrigados a comprar grandes parcelas dos trilhões em bônus soberanos de vencimento dilatado de Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia (UE) a serem emitidos nos próximos anos – mas com consequências desastrosas, segundo especialistas. Regulamentações e pressão financeira do gênero dos definidos pela diretriz da UE conhecida como Solvência 2 – por meio das quais os governos estão pressionando os investidores institucionais a comprar títulos – forçarão os fundos de pensão a investir em bônus governamentais. O problema é que os bônus do governo oferecem retornos reais baixos ou negativos que vão corroer os fundos de pensão e aumentar seus déficits crescentes. Embora a pressão financeira possa ajudar governos a diminuírem o endividamento, esse tipo de política não é, absolutamente, favorável aos fundos de pensão, afirmam os especialistas. Eles alertam que os bônus do governo trazem atualmente consigo dois grandes riscos de peso: O primeiro é que uma enxurrada de dinheiro entrando no mercado leva à inflação e, portanto, a um aumento das taxas de juros para compensar. O segundo é a credibilidade dos emissores soberanos em termos de pagamento. Com enormes cargas de endividamento e déficits públicos a perder de vista, é difícil ver como os governos vão tapar esse buraco.

Mas há uma corrente de otimistas que crêem que  os títulos do governo não sejam inadequados para os fundos de pensão. Eles partem do pressuposto de que, quem toca um programa de pensão que gera uma promessa garantida, o investimento mais razoável é o que mais se aproxima de igualar o seu passivo. E esse investimento são os bônus soberanos, assim, o risco de inadimplência dos principais tomadores – como Reino Unido, França ou Alemanha – é considerado "desprezível ou mínimo".