Uma andorinha pode fazer veré o nas fam lias

O processo de mudança ocorre a partir do reconhecimento de algo que necessita de alteração, do desejo acompanhado da ação, e depende de um período de persistência e disciplina para que seja introjetado como um novo hábito.  No processo educacional a transmissão do conhecimento passa geralmente dos pais aos filhos, dos professores aos alunos ou destes na transformação do conhecimento apreendido a partir de sua vivência.  Essa é a tendência do processo educativo contínuo.  Com a educação financeira há diferenças. 

Pela ordem natural das coisas, os primeiros educadores financeiros devem ser os pais e familiares a passarem aos filhos os conhecimentos e práticas positivas e racionais no uso dos recursos financeiros, conduzindo-os na construção de seus hábitos de consumo, seguido pelas escolas que devem abordar o tema em todas as disciplinas, para formarem cidadãos conscientes e disciplinados financeiramente.

As pesquisas apontam que 61,5% das famílias brasileiras estavam endividadas em fevereiro. Dado que vem crescendo mês a mês, o que traduz o comportamento de consumo dos responsáveis financeiros das famílias, que se endividam para alcançarem o que sonha, gerando dívidas que nem sempre são projetadas com base em um orçamento familiar, deixando-os cada vez mais endividados e vulneráveis a inadimplência.  Realidade de 22,1% destas famílias que estavam com suas contas atrasadas. Os responsáveis financeiros, às vezes, utilizam atitudes negativas no uso do dinheiro, como ao não dizerem não aos pedidos dos filhos, ao adquirirem mercadorias, bens e serviços incompatíveis com o seu padrão de vida, ao comprarem por impulso sem uma reflexão anterior se é necessário e possível adquirir naquele momento e, como os filhos “são espelhos dos pais”, e  sendo criados com este comportamento de consumo desregrado e arriscado,  tendem a um padrão de repetição.

Para a transmissão da educação financeira, inclusive para a quebra no padrão de repetição do endividamento, não há lógica.  Existem exceções de crianças, adolescentes e jovens que cresceram em ambiente vulnerável ao endividamento excessivo, mas que entram em contato com o tema, seja na escola ou através da abordagem de profissionais, que lhes passam informações e conhecimentos despertando a curiosidade, a motivação e o prazer de mudarem o comportamento e as atitudes em relação ao consumo. Eles também têm sido responsáveis por promoverem a mudança comportamental em suas famílias, levando-as a conhecerem quanto ganha, e com isso, estabelecerem o quanto podem gastar, a refletirem antes de consumire, a se basearem em planejamento e no princípio de evitar o desperdício, consumindo o que, quando e quanto necessitarem e dentro do que o padrão de vida permite.

Isso reforça que na vida todos somos alunos e professores, independente da idade, do nível de escolaridade e cultural.  Entendendo isso, fica mais fácil atingir a quebra do ciclo do endividamento familiar, seja pela educação financeira passada de pai para filho ou vice versa.  

Há que se ter atenção para o tema, a intenção e empenho de colaborar para a mudança comportamental no uso dos recursos financeiros, contribuindo para a construção da autonomia e da cidadania de todos.  Educação financeira é dever de todos e para todos.