Usuários gastam por mês 23,6% do salário com aplicativos

Usuários gastam por mês 23,6% do salário com aplicativos

A expansão do mercado digital fez várias empresas repensarem os modelos de negócios para se encaixarem em uma nova realidade: criar itens voltados para a internet. O consumo de produtos e/ou de serviços por meio de plataformas digitais nos smartphones tem se tornado cada vez mais comum, o que, de acordo com especialistas, pode comprometer o orçamento dos usuários, se eles não fizerem um planejamento financeiro adequado.

Conforme pesquisa realizada pelo Guiabolso, uma plataforma de organização das finanças pessoais, os gastos com aplicativos de transporte comprometeram, em média, 9,5% do salário de 72 mil brasileiros que utilizaram o serviço, em maio deste ano. O estudo apontou que o gasto médio com aplicativos de transporte foi de R$ 119.

Logo em seguida, vieram as despesas que os entrevistados tiveram com aplicativos de entregas de comida. O valor médio empregado pelas 39 mil pessoas que utilizaram o serviço no mês passado foi de R$ 85, o equivalente a 8,1% da renda registrada pelo grupo.

Já os gastos com os aplicativos de filmes e de músicas foram anotados no orçamento de 30 mil e 49 mil pessoas, respectivamente.

Quando comparados às demais plataformas, no entanto, o número foi bem inferior. Nenhuma das duas ferramentas passou de 3% do orçamento dos usuários entrevistados pela pesquisa. Ao todo, os gastos com aplicativos de transporte, entrega de comida, filmes e músicas comprometeram, em média, 23,6% dos salários dos usuários.

Novos hábitos

Os dados possibilitam avaliar uma mudança no que diz respeito ao perfil de consumo dos jovens atualmente, que cada vez mais querem praticidade no momento da compra de um produto ou de um serviço, afirma o diretor do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef-CE), Rodolfo Pires.

Ele acredita que a alta procura por aplicativos de transporte pode estar relacionada à má qualidade dos ônibus e também à insegurança urbana. Os valores de transação, geralmente em conta, e a praticidade oferecida por eles, no entanto, podem acarretar em um descontrole financeiro. “A pessoa cadastra um cartão virtual e utiliza direto, podendo se tornar um vício”, diz.

Uma dica para que a situação não ocorra, explica o diretor do Ibef, é acompanhar de perto todos os gastos que estão sendo realizados ou estipular limites, como só usar aplicativos de transporte e/ou de comida só aos fins de semana, por exemplo. “Há aplicativos que auxiliam no controle de gastos. São bons na equação, mas vejo como um risco em potencial. Pode ser usado, mas nada substitui o controle pessoal das contas, refletir se é algo necessário ou se é supérfluo”, avalia Rodolfo Pires.

Consciência financeira

Para a chefe do Departamento de Contabilidade da Universidade Federal do Ceará (UFC), Danielle Peres, efetuar pagamentos com o cartão de crédito pode fazer com que a pessoa se desestabilize financeiramente. Na visão da professora, pagar com dinheiro em espécie é uma alternativa para que isso não aconteça.

“Os jovens se sentem mais atraídos pelas tecnologias. Não querem sair para dirigir e se estressar no trânsito, se tem alguém que possa fazer isso por eles. Assim como não querem mais sair de casa, pois têm os aplicativos de pedido de comida que os oferecem comodidade. Porém, é necessário fazer uma análise das entradas e saídas de recursos e se organizar quanto às despesas fixas”, destaca.

Planejamento

Há dois anos, o professor universitário Samuel Miranda, decidiu trocar o carro que tinha. No intervalo entre a venda e a compra de outro automóvel, ia ao trabalho de ônibus ou chamava aplicativos de transporte. Por causa da relação custo-benefício, que lhe rendeu uma economia de, pelo menos, R$ 850 mensalmente, escolheu a última opção como forma de se deslocar.

“Na época, eu gastava com o veículo uma média de R$ 1.200 ou R$ 1.300 por mês, incluindo combustível, manutenção, seguro, impostos e eventuais multas. As pessoas não pensam que um carro gasta tudo isso. Se fosse hoje, o valor seria mais alto, já que aumentou o preço dos combustíveis. Gasto, em média, R$ 450 mensalmente. Em maio, foi R$ 750, porque a tarifa era dinâmica e eu usei muito”, relata o professor, ao dizer que também faz uso de aplicativos de músicas e de filmes, pagando R$ 13,50 e R$ 16,45 nos dois, respectivamente.

Fonte: Diário do Nordeste