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O taxista Nelson Anghinoni, de 62 anos, voltou das férias de julho, alta temporada no Brasil, com as contas no azul. Ele e sua mulher, Valquiria, passaram 12 dias na Bahia, entre Salvador e Morro de São Paulo. Almoçaram e jantaram em bons restaurantes, tomaram vinho e ficaram em pousadas confortáveis. Diferentemente de uma boa parte dos brasileiros, que terminam as férias endividados com os gastos da viagem, a família Anghinoni sempre planeja cada detalhe para evitar a volta no vermelho.

“Meu planejamento começou em março. Já saí daqui com R$ 4 mil pagos, entre passagens de avião e hospedagem. Calculei um gasto de R$ 300 para mim e minha mulher com refeições e não avancei nesse limite. O custo total da viagem foi de R$ 7,6 mil”, conta Anghinoni.

Especialistas em finanças ouvidos pelo GLOBO afirmam que quem não quiser voltar endividado das próximas férias deve seguir os mesmos passos do casal Anghinoni: planejar o destino, estabelecer um limite de gastos e antecipar o pagamento do máximo de despesas possíveis. Aqueles que seguem essa cartilha conseguem economizar até 50% em comparação a quem não se planeja, afirmam esses especialistas.

“O ideal é começar o planejamento da viagem de férias seis meses antes. Mas a maioria dos brasileiros quer planejar o pagamento na volta, quando já gastou as reservas financeiras e está com o cartão de crédito estourado”, diz Thiago Nigro, educador financeiro de O Primo Rico, um canal do YouTube especializado em finanças e planejamento financeiro.

O primeiro passo é definir o destino e estabelecer um limite de gastos. Se o viajante escolher um destino nacional, especialistas recomendam começar aplicando os recursos em um fundo DI, com taxas de administração baixas (entre 0,5% e 1% ao ano). Ou comprar títulos do Tesouro Direto que acompanham a Selic, a taxa básica de juros.

“São investimentos conservadores, de baixo risco, que evitam perdas para o patrimônio. Quando a pessoa for pagar a passagem de avião ou o hotel, o dinheiro já terá rendido”, recomenda Nigro.

Compra de moeda

Para uma viagem ao exterior, Emerson Dias, diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) e autor do livro “O Inédito Viável — Finanças Pessoais”, recomenda criar uma rotina de compra de dólares ou euros, que pode ser semanal ou mensal e com valores variáveis, também com até seis meses de antecedência. Mas o importante é ter disciplina, ressalta ele, já que não se pode prever o comportamento futuro desses ativos. Então, o melhor é estabelecer parâmetros no presente.

“A compra pode ser de US$ 100, US$ 200 ou US$ 500, dependendo da disponibilidade de recursos do comprador. O importante é manter essa rotina. Se a moeda sobe muito, o viajante terá feito a aquisição pelo valor médio, o que dá uma boa economia”, explica Dias. “Quem deixa para comprar moeda estrangeira no aeroporto, por exemplo, paga até 20% mais.”

Além disso, passagens antecipadas saem sempre mais em conta do que comprar em cima da hora, alertam os especialistas. Anghinoni comprou seus bilhetes aéreos para a Bahia quatro meses antes da viagem. Pagou R$ 1 mil por cada um. Poucas semanas depois, não se encontrava a passagem por menos de R$ 1.500 — ou seja, ele economizou R$ 1 mil. Viajar em dupla também ajuda a economizar, lembra Nigro.

— A diária de quarto de solteiro em Washington custa cerca de US$ 140. No duplo, sai por US$ 169. E, se a viagem for em família, sai mais em conta alugar uma casa ou apartamento nos sites de aluguel de imóveis — afirma.

Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira, lembra que uma das causas do estouro do orçamento em viagens são os gastos com cartão não programados. Compras feitas indiscriminadamente ou passeios não programados acabam pesando nas finanças.

“É possível também antecipar a compra de ingressos para shows, jogos e passeios turísticos. 90% das atividades de lazer podem ser programadas”, explica Domingos, que recomenda ainda estabelecer uma meta de gastos por dia e cumpri-la à risca.

Além disso, ele lembra que dólar e euro em espécie têm Imposto sobre Operações Financeiros (IOF) de 0,38%, taxa que sobe a 6,38% no cartão de crédito e no pré-pago.

“Se o dinheiro em espécie acabou, o recomendável é usar o cartão de crédito apenas para gastos essenciais, não aleatoriamente”, diz Domingos, que recomenda às famílias que viajam com filhos sentar e conversar sobre os limites dos gastos da viagem. “É preciso ter o domínio do dinheiro, ou a volta da viagem será um problema nas finanças”.

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Fonte: Revista Época Negócios


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